quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Histórias do povo

§ Além de ser amante de História, confesso também adorar historinhas num geral: histórias de amigos e de família, histórias quem se ouvem no metrô e em ônibus, histórias da internet. Eu sou capaz de ficar horas ouvindo e contando os absurdos que o povo fala.


§ Essa semana, uma em especial prendeu a minha atenção e me fiz rir um bocado. Uma amiga minha arranjou um peguete, que eu conheci algum tempo depois e que descobri ser quase meu vizinho.


§ Comprovei que esse peguete, apesar de simpático e gente fina, era meio maluco. Então ela me contou essa pérola. O fulaninho decidiu, ao lado de seus amiguinhos igualmente doidos, "invadir" um hotel aqui da orla e usar LSD por lá. Quando voltaram à rua, ele estava tão pirado que bateu em um policial que tentou abordá-lo. Com medo de ser preso, correu para a praia e entrou na água, tentando se esconder. Atenção para o detalhe: isso tudo de madrugada.

§ Um desses caras que trabalham fazendo esculturas na areia, viu a situação e ficou preocupado. Entrou na água para tirar o fulaninho e ainda foi agredido. Depois de muito sufoco conseguiu derrubá-lo na areia e chamou o corpo de bombeiros. Nisso, um dos amigos igualmente doidos apareceu e forneceu ao bombeiro o telefone da casa do nosso protagonista. A mãe e a irmã dele apareceram e o acompanharam até o pinel, onde o fulano passou um dia.
O mais engraçado é que um tempo depois, quando a minha amiga estava ficando com o fulano, enquanto eles passeavam pela praia, o tal do escultor os encontrou, reconheceu o doido e disse que só não revidoua agressão porque percebeu que o rapaz estava psicologicamente alterado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pára-raios

§ Uma segunda revolta, essa de cunho bem menos político e útil que a do post anterior, é a capacidade que eu possuo para atrair sentimentalmente homens estranhos. Eu sei que eu não sou bonita e muito menos o mais inteligente dos seres, mas mesmo assim atraio mais estranhos que o Brasil atrai raios...
§ Por estranhos não entendam feios. Até porque pela minha beleza, ou falta dela, não tenho o direito de exigir homens bonitos. Eu até tenho uma atraçãozinha por uns feinhos. Quando eu digo estranhos, quero dizer na verdade MUITO estranhos.
§ E não é de agora: lá pelos meus oito anos eu já atraía o sobrinho de uma super amiga da minha mãe, que devia ser um ou dois anos mais velho que eu. Durante uns três anos seguidos ele me deu presentes no dia dos namorados, para o meu desespero. Todo mundo me zoava, e uma simples menção ao nome dele me fazia chorar... DE RAIVA!! Tudo bem, até aqui a estranha pode parecer eu mesma. Mas é que ainda não contei que, apesar da pouca idade, o menino fazia tratamentos psiquiátricos por possuir tendências suicídas. Isso mesmo!!
§ A pré-adolescência chegou e os estranhos continuaram. Um merece destaque: seu apelido era E.T., o que já dispensaria mais comentários. Mas só pra provar que eu não sou uma pessoa exagerada, vamos lá: o E.T. era um ser de poucos amigos, e uma das criaturas mais zoadas da classe. Apesar de pequeno, brigou com vários meninos maiores da turma e sempre levou a melhor, tamanho o seu ódio. Até uma professora ficou super assustada com ele. Um dia, em uma aula de artes plásticas, veio me pedir um lápis colorido emprestado. Sabendo que a colega que estava à minha frente me zoaria horrores após o empréstimo, eu disse: NÃO (mas me senti bastante mal). Então, a minha amiga sentada atrás me contou que logo após ele deu dois passos, virou novamente na minha direção e falou: "você está na minha listinha". Uma semana depois aconteceu aquele massacre de Columbine, quando dois estudantes, sempre excluídos e ridicularizados pelos colegas de classe, mataram vários alunos da escola. Obs: Eles também tinham uma "listinha".
§ O tempo foi passando. Até porque, como dizem, tudo na vida passa. Mas os caras estranhos não. Recebi uma declaração de um menino que eu até achava bastante legal, mas tinha trejeitos homossexuais. Teve um outro para o qual eu posso definir estranho como feio mesmo. Porque ele era. E usava o verbo "moscar" no lugar de paquerar. E o pior é que eu gostei desse sujeito...
§ E foram muitos outros, que nem vou descrever aqui. E olha que eu não sou uma mulher de arrebatar corações. Mas é que praticamente todos eram caras estranhos.
§ No momento? Um ser casado que eu jurava que tinha uns 16 anos, por causa de seu porte físico; um outro carinha muito gente fina, mas que alguns amigos meus acham ser gay (a despeito disso, ele tem um grupo de amigos com algumas das pessoas mais estranhas que já vi - isso daria outro post), e um outro com mais de 30 anos, que possui a mentalidade de um menino inteligente de... 12 anos!!
§ É melhor eu parar por aqui.
§ Não agüento (com essa reforma ortográfica, é com trema ou sem?) mais falarem do Barack Obama como presidente eleito dos EUA... Estaria mentindo se dissesse que não fiquei emocionada com a sua eleição. A festa e a alegria dos estadunidenses me lembraram bastante a vitória do Lula em 2002. Aqui, um "pobre" chegando ao poder e lá, um negro (apesar de falarmos tanto do racismo deles, nunca vi um político negro de alto cargo aqui no Brasil), o que causou em ambos os povos a sensação de mudança das situações saturadas.
§ Meus olhos encheram d'água quando as TVs noticiaram a vitória oficial do candidato negro e mostraram a multidão concentrada em Chicago, esperando pelo pronunciamento do futuro presidente. Porém a emoção somente durou até ali. Depois disso Obama começou seu discurso tipicamente americano, proferindo coisas do tipo: aos que estão ao lado do bem, nós estaremos com vocês, mas vocês que estão ao lado do mal, nós vamos combatê-los até a vitória.
§ Então eu pergunto: mudou mesmo alguma coisa? Sim claro, pior que o Bush provavelmente não deve existir. Mas a questão é que os americanos continuam, e devem permanecer assim por um bom tempo, sentindo-se os donos da verdade e os protetores do mundo. E o discurso do Obama confirma isso.
§ Nós sempre criticamos os EUA por esse seu posicionamento arrogante e imperialista, por se meterem nas políticas de outros países, por criarem e financearem contendas e guerras, por ajudarem na destituição de presidentes eleitos democraticamente. Nós sempre nos revoltamos por eles se autoafirmarem como os guardiães de valores morais imprescindíveis para as sociedades, mas a verdade é que, apesar de muito criticá-los, nós aceitamos essa posição que eles estabeleceram. É só checar os jornais e revistas nacionais e internacionais: o novo presidente estadunidense é apontado como o homem que pode mudar o caminho no qual a humanidade está caminhando. Todos dizem que não se deve depositar nele todas as fichas, pois o mesmo herdou muitos problemas que não serão resolvidos em pouco tempo, mas ao mesmo tempo, todos colocam nele todas as fichas. "Mudar o caminho no qual a humanidade está caminhando" não é frase minha; é o que está por aí. É o que está em todos os cantos.
§ Eu sei, eu sei: os EUA continuam sendo o país mais poderoso do planeta. Mas eu penso que muito desse poder é mítico, e a culpa disso é de nós mesmos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O emprego dos sonhos

§ Pode ser que eu esteja errada, mas parece que quase ninguém está satisfeito com o emprego que tem. Eu conheço poucas pessoas que falam com plena convicção que amam o que fazem. Uma boa parte se diz insatisfeita, mas como o dinheiro é necessário, atura os afazeres da profissão. A insatisfação de outros vem já da época da faculdade, com a escolha errada do curso, que é o meu caso. Uma outra explicação pode ser dada por meio de uma famosa frase do seu madruga: “Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar”. Às vezes eu acredito piamente nisso. Bom mesmo seria ganhar dinheiro sem trabalhar... ficar só estudando, lendo, pesquisando...
§ Mas se eu pensar mais um pouquinho posso encontrar umas profissões legais. Quando eu era pequena, queria ser o Indiana Jones. Pra ser bem sincera, até hoje eu gostaria de ser o Indiana Jones. Sim, não é ser simplesmente um arqueólogo ou historiador. É ser o “Indy“ mesmo. Quer coisa mais legal: lidar com civilizações antigas, com História, e ainda por cima viver todas aquelas aventuras, sempre se dando bem. Seria um sonho!
§ Sendo mais realista, tem um outro emprego que também me fascina. Não sei exatamente o nome, mas é aquele no qual se trabalha com a trilha sonora de filmes e séries. Eu sempre tive a mania de ouvir uma música e começar a inventar uma história, uma situação de filme ou novela, para ela. Na prática eu sei que é o contrário: a partir da situação é que se escolhe a canção. Em alguns poucos casos, como os dos filmes, são compostas músicas especialmente para as histórias. De qualquer forma, é uma função interessantíssima!
§ Vejamos o caso da série Coldcase: para mim o ponto forte do programa é o final, quando sempre toca uma música que tem a ver com o tema do dia. Eu acho incrível como eles conseguem encontrar canções que se encaixam, muitas vezes perfeitamente, com as situações. É tão legal que você acaba gostando de músicas que antes achava chatas. Meus exemplos: Kelly Clarckson é fastidiosa para mim, mas depois de um episódio no qual uma menina amish sai de sua aldeia para ir pra uma cidade grande, realizando o seu grande sonho, eu passeu a gostar de breakaway (“Grew up in a small town...”). Outro grupo que acho maçante é o nickelback. Até que no final de um episódio acerca de uma moça ex-drogada que tentava provar que seu filhinho ainda estava vivo, quando todos acreditavam que ele tinha morrido ainda bebê por culpa do vício dela, eu escuto far away. Foi perfeito e até hoje vira e mexe me pego cantando. Tudo porque uma pessoa teve o trabalho de fazer uma pesquisa bem minuciosa e encontrar a música que parecia ser a própria narração da história...
(...)
Por favor, alguém sabe como eu faço para enviar o meu currículo pra equipe do Coldcase?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Fala mais que homem da cobra

§ Eu escutei essa expressão pouquíssimas vezes na vida. Mas o que me chamou a atenção foram as explicações que deram a elas. Se procurarmos na internet, encontraremos várias. Por exemplo, aqueles indianos que levavam cobras no cesto de cidade em cidade, e quando tocavam suas flautas, elas começam a subir, como que hipnotizadas. A explicação é que esses homens da cobra contavam muitas ladainhas, falavam muito, surgindo então a expressão. Há também a história de que o homem da cobra é o homem da cobrança, que passava de casa em casa falando bastante, a fim de receber os pagamentos.
§ Enfim, a razão desse texto é que eu gostaria de adicionar uma verão para explicar a expressão.
A família do meu pai é de um pequeno povoado chamado (Santo Antônio da) Cobra, situado nos arredores de Parelhas, uma cidadezinha no interior do RN. A Cobra deve ter por volta de 700 habitantes, e se contarmos com os "cobreiros" que não moram lá mais os seus descendentes, deve-se chegar perto de dez mil pessoas. E todo mundo é parente; de primeiro a décimo grau, todos os que são ou descendem da Cobra têm algum grau de parentesco.
§ O povo da Cobra possui características bem peculiares e marcantes. São muito inteligentes, especialmente na área das ciências exatas (eu não herdei essa inteligência...), um pouco doidos (é comum ouvir nas cidades vizinhas que quem é da Cobra ou é doido ou é doutor) e falam MUITO. Mas é muito mesmo. É um povo que não pára de falar. E o mais incrível: falam todos ao mesmo tempo e, apesar disso, conseguem se entender.
§ A expressão do homem da Cobra parece ser bem antiga, talvez de uma época em que o povoado potiguar mencionado nem sonhasse em existir. Mesmo assim, nas poucas vezes que eu ouço alguém citar essa frase, gosto de pensar que ela tem origem nesse lugarzinho que também faz parte das minhas origens. Mesmo assim, discordo da expressão. É impossível alguém falar mais que os homens da Cobra!

sábado, 13 de dezembro de 2008

Clássicos da sessão da tarde

§ Num momento (há bastante tempo) no qual estava à toa (é assim que se escreve?) decidi fazer um top 10 dos clássicos da sessão da tarde. Quero deixar bem claro que apesar de às vezes parecer bem pessoal, procurei ser o mais imparcial possível, e até incluí um filme que não gosto muito, mas que acho bem “cara de sessão da tarde”.
§ Clássicos da sessão da tarde são aqueles filmes que já passaram um milhão de vezes, e apesar de você ter assistido a quase todas, se não se mata para assistir pela milionésima primeira vez, pelo menos não muda mais de canal quando vê que está passando. A ordem não significa que o segundo é melhor que o décimo, ou vice-versa. É só uma ordenação mesmo, com exceção do primeiro:
§ 1- Os Goonies: Sim, esse é o mais clássico, pra mim o melhor! Não está em primeiro lugar por acaso. Quem nunca sonhou em viver uma aventura como a daqueles meninos? Encontrar um mapa que leva a um tesouro de piratas, fugir de bandidos, conhecer um monstro bonzinho, salvar a cidade de virar um imenso campo de golfe! Sem falar nas artimanhas do Bocão, nas engenhocas do Dado, nas trapalhadas e mentiras do Gordo... Os goonies é um clássico!
§ 2- Mudança de hábito II: O primeiro filme também é muito bom, mas o II é mais “clássico de sessão da tarde”. As velhas piadinhas de adolescentes que não querem nada com nada e depois, com a ajuda da “freirinha” moderníssima [e como num passe de mágica, porque a gente sabe que na vida real as coisas não funcionam assim] se transformam em jovens exemplares, ao som de happy day e joyful joyful, também é demais. Tento assistir toda vez que passa!
§ 3- Esqueceram de mim: E aqui eu incluo o 1 e o 2. Vamos falar a verdade que vários filmes do M. Culkin da época em que ele era o astro-mirim mais queridinho de Hollywood são um clássico. Mas esses dois merecem um tópico. Bem divertidos, acho que toda criança já quis ter aquela família louca e ser esquecida em casa ou em New York [isso eu quero até hoje!] para viver aquelas aventuras.
§ 4- Meu primeiro amor: Ah... outro do M. Culkin que não poderia passar em branco. Um dos filmes mais fofos já produzidos, apesar do final imensamente triste. Aliás, esse fim, apesar de trágico, é um dos mais realistas dos clássicos aqui apresentados. Nos ensinou que a vida nunca vai ser um mar de rosas, e que nós vamos chorar muito ainda. Mas vale a pena. E ainda tem a maravilhosa “my girl” na trilha sonora.
§ 5- Curtindo a vida adoidado: Taí um filme que eu nunca consegui assistir inteirinho, só alguns pedaços. Mas enganar os pais dizendo que está doente, chamar a namorada e o melhor amigo pra matar um dia inteirinho de aula, parar o centro de Chicago cantando Twist and Shout e ainda jogar uma Ferrari pela janela para no fim do dia para tudo isso ter dado certo, merece entrar na lista e dispensa mais comentários!
§ 6- Dirty Dance: Eis o filme que não gosto. Sim, me sinto até mal quando falo pra um zilhão de mulheres que amam esse filme que eu não gosto dele. E não gosto mesmo, acho chatinho demais. Porém como ele alcança bons índices de audiência, causa histeria na mulherada e tem aquela cena clássica do “I’ve had the time of my life” no final [essa parte confesso que gosto], vai entrar na lista.
§ 7- Todos do Indiana Jones: Aqui eu confesso que não fui nem um pouco imparcial. É que eu sempre amei aventuras, e Indiana Jones é um prato cheio! Dedico este espaço então a todos os filmes dele e também àqueles relacionados a aventuras na África em busca de tesouros e civilizações antigas.
§ 8- Uma noite de aventuras: Agora tá bem claro que eu amo aventuras... mas a história de uma babysitter que, acompanhada de 3 garotos que cuidava, parte para socorrer uma amiga que fugiu de casa e está em apuros, quando um pneu do carro estoura e eles são socorridos por um caminhoneiro sem mão que foi traído pela mulher, metem-se num tiroteio, são seqüestrados e perseguidos por bandidos, ficam pendurados num edifício de mais de 100 andares, têm que fugir andando num telhado, são envolvidos em uma luta de gangues dentro do metrô, confundem ratazanas com gatinhos quando perdem os óculos, entram em um bar de blues e: "ninguém passa por aqui sem cantar um blues", também se auto-explica.
§ 9- O enigma da pirâmide e loucuras em plena madruga: Mais uma vez a escolha é bem pessoal. Nenhum dos dois é muito conhecido, mas decidi colocá-los aqui por dois motivos: o primeiro assisti um milhão de vezes quando era pequena, o segundo só assisti uma vez, mas nunca mais esqueci. Que eu lembre, só passou aquela vez mesmo, uma pena...
§ 10- Miscellaneous: Não, isso não é nome de filme. É que decidi mencionar aqui vários filmes que também são clássicos, mas que eu nunca assisti: clube dos cinco, garota de rosa shocking, namorada de aluguel, a lenda de Billie Jean... Fora os que eu já vi mas só lembrei agora: conta comigo, agora e sempre, convenção das bruxas, olha quem está falando...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sobre o 'garotas' e as 'nights'

§ Eu não sou do tipo de pessoa que tem e/ou conhece um milhão de websites para acessar. A internet pra mim funciona mais ou menos assim: e-mails, sites de notícias, orkut, este blog de vez em quando, google e os respectivos endereços eletrônicos que encontro para as minhas pesquisas, emule às vezes para baixar músicas, youtube mais de vez em quando ainda (ou praticamente nunca, para ser honesta), e alguns poucos sites que eu freqüento com certa regularidade, como o adorocinema e o garotas que dizem ni, do qual me tornarei órfã agora.
§ Eu conheci o 'garotas' em 2003, por meio da revista Época. Em pouco tempo (entenda-se pouco tempo como umas três edições) se tornou a minha coluna preferida. Toda quarta de manhã, quando a revista chegava lá em casa, eu corria, lia o sumário para ver as matérias que mais me interessavam, e logo em seguida lia a coluna das três jornalistas que não se levavam muito a sério. Além da diversão certa, o que eu sempre achava legal era a identificação das idéias. Elas conseguiam por no papel, de forma irônica e educada, as coisas que eu também pensava, mas não tinha criatividade e neurônios sufientes para escrever.
§ Depois de um tempo, meu pai cancelou a assinatura da revista, para a minha tristeza. Passei a acompanhar as garotas religiosamente pelo site. Quando meu pai voltou a assinar a Época, a coluna delas não existia mais, para a minha revolta. Mas com as garotas eu também aprendi que o azar era deles.
§ Enfim, depois de muitas crônicas divertidas e sensíveis sobre cinema, música, literatura, lembranças e memórias, política, situações cotidianas, entre outros assuntos, as meninas anunciaram que o site acabará. Fiquei muito triste, óbvio. Fiquei órfã mesmo. Logo eu, que nem "tenho" muitos sites para acompanhar...
§ Como uma singela homenagem, vou postar aqui um dos milhares de textos das garotas que eu gosto tanto. É sobre baladas, ou nights, para nós cariocas. É uma explicaçãozinha sobre o fato d'eu, e de tantas outras pessoas, não gostarem de curtir filas para entrarem em um espaço superpovoado cheio de "gente bonita", com bebidas que custam os dois olhos mais um dos rins, e passar uma semana com cabelo fedendo a cigarro, mesmo lavando um milhão de vezes.
Espero que, como eu, os leitores imaginários deste blog curtam.
Daqui para a balada
Ei, tá a fim de sair hoje? Vamos lá, damos um rolê de carro, daí a gente escolhe uma boa balada e entra! Olha, mas eu não estou falando de restaurante, com essas coisas de jantar e vinho e café cheiroso no final, viu? Nem cinema. Não, pizza em casa também não, credo, que coisa de velho! Tem que ser balada. E balada forte, daquelas com música moderna no talo, milhares de pessoas dividindo a pista e água vendida a 8 reais. Sem gelo.
Ah, poxa, não torce o nariz... Pensa assim: se tanta gente faz esse tipo de programa, é porque deve ter muita coisa legal. Não sei, talvez seja pela freqüência, oras. Sempre ouço dizer “em tal lugar só vai gente bonita”. Tudo bem, eu também não entendo direito. Seria “gente bonita” uma afirmação real, ou seja, existe um detector de boniteza na porta e só é permitido o ingresso de quem se encaixe nos padrões do aparelho? Ou seria um eufemismo para “aqui só entram malditos ricos vestidos como vitrine de shopping”? Bom, não sejamos preconceituosos. Vai que a “gente bonita” é também simpática e inteligente, poxa?!
E se não tiver ninguém com um papo razoável, tudo certo também, uai. A gente acha uma mesa, pede uns drinques, umas porções e conversa. Ah, precisa de reserva pra pegar mesa? E os drinques se resumem a cerveja, uísque ou aqueles troços azuis com um triângulo de abacaxi decorando a borda do copo? Minha nossa. Podemos pedir Coca ou Guaraná? O quê?? Tem bar que cobra seis mangos por uma latinha?? Quanto custará então a cumbuca de pasteizinhos, 20 paus? Jura?
Esquece. Nós temos força de vontade e podemos passar sem essa. Podemos lanchar em casa antes e depois sair. É verdade, podemos até tomar banho demorado, comer sanduíche, assistir um filme e só depois sair, afinal balada só começa lá pela meia-noite. Força, vai, a gente agüenta acordado.
Vamos lá com o intuito de dançar e pronto! A pista é nosso lar. Se não conhecermos as músicas? Bom, a não ser que estejamos na noite do flashback, é bem possível que aconteça mesmo, não vou mentir. Afinal, somos ruins à beça com essa coisa de música eletrônica, não é? Mas também, não dá pra cantar junto e a coreografia mais parece a de um robô em curto-circuito. Natural que parte da moçada precise de um comprimidinho do capeta pra digerir essas “canções”... Só vendo girafas roxas tocando flauta mesmo para curtir mais do que oito minutos de tecno.
Ai, pára, vá, nós estamos ficando chatos. Vamos sair de uma vez e tenho certeza que a gente pode curtir. Não, não vai ter fila pra entrar. Se tiver, a gente espera um pouquinho. Afinal, fila em balada é coisa muito comum hoje em dia, temos que nos mesclar. E no fim da linha ainda podemos fazer uma graça, ué.
Quando a moça da portaria perguntar nossos nomes, eu posso dizer que me chamo “Luz Del Fuego”? Ou “Mata Hari”? Ah, deixa, por favor! Serão dois minutos superdivertidos soletrando isso! Depois vai acabar a graça, claro, porque logo haverá uma pessoa conferindo nossa bolsa e apalpando nossos quadris à procura de fuzis e granadas... Tudo bem, podemos vencer o obstáculo e segurar a dignidade.
Só não me responsabilizo por manter a calma diante de bêbados e garotas que dançam jogando cabelo para os lados, ok? Não, aí já é demais. Se o sujeito pegar no meu braço e falar perto do meu ouvido, eu vou gentilmente pisar-lhe o pé e pedir licença. Gente que avançou no álcool fala cuspindo, sabe? É meio nojento. E aquelas que demarcam espaço na pista, cotovelando quem ousa invadir seus 13 centímetros de chão, me dão nos nervos. Posso virar minha Coca no vestido dela? Assim, meio sem querer?
Tá, você sabe que eu jamais faria isso mesmo. Não me revoltei nem quando aquele moço queimou a manga da minha blusa com a ponta do cigarro... Era tão linda... Tão nova... Eu mesma tinha costurado. Fazer o quê, se ele queria fumar em meio a 480 pessoas e relou a chama em mim? Acho que não foi de propósito. Mas podia ao menos ter pedido desculpa, né?
Beleza, eu sei que pedir desculpa, ser gentil e pacífico não é um comportamento assim, muito balada. Já entendi. Tudo bem, a gente entra no espírito e se joga! Se voltarmos pra casa sedentos, fedendo, com hematomas, sem dinheiro, tendo pesadelos com o toalete e emburrados, ainda assim terá valido a pena!
Não? Bem... então tá certo. Eu ligo lá na pizzaria. Peço o quê, meia mussarela, meia alcachofra?
Escrito por Flá Wonka (Flávia Pegorin)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Who is fucking hell Malu Magalhães?? (sic)

Por favor, alguém me responda a questão título, que estou ficando desesperada.
Eu ouvi esse nome pela primera vez há cerca de um mês. Tinha marcado um almoço com um amigo que não via há tempos. No meio da conversa ele falou dessa tal malu, dizendo que ela lembrava uma outra amiga nossa. Perguntei quem era a malu, e o mesmo me explicou rapidamente que era uma cantora nova. Não entrou em detalhes, e para mim, o "nova" significava que a mesma tinha surgido há pouco tempo no cenário musical. O que também não deixa de ser verdade.
Abstraí totalmente essa situação, quando, umas duas semanas atrás, começou a "explosão Malu Magalhães". Eu acessava os sites de notícias, e lá estava esse nome. Abri o youtube, e lá estava o nome de novo. Fui fuxicar o orkut dos outros, e lá estava o vídeo intitulado de Malu Magalhães.
Recebi de uma amiga, via orkut também, um link com uma notícia. Fui toda feliz checar e me deparo com algo do tipo "Malu Magalhães e Marcelo Camelo assumem namoro".
Peraí!! Em primeiro lugar, o Camelo não era casado com a Aline? Eu sei. Eu gostava de Los Hermanos (das canções, não dos integrantes), eu sei cantar quase todas as músicas. Não era "oh minha menina és de tudo o que mais belo existe... tua presença ALINE é tão sublime"?
Em segundo lugar: o mais interessante é que a notícia, apesar de citar os dois, enfatizava a pessoa 'malu', e não o camelo. Aí entrou a terceira e mais contudente questão: quem é a porra dessa malu??
Nesse ponto me estressei e decidi procurar informações. A garota tem 16 anos. Ela toca desde os... EPA! Dezesseis anos? Isso mesmo? O Camelo virou pedófilo? Não, a própria menina disse que esse lance de idade tem nada a ver. Aliás, lendo as entrevistas dela, percebi que a mesma foi lançada ao posto de super celebridade inteligentedescoladaidolatradasalvesalveequeveioprasalvaromundo. Malu tem a resposta pra tudo, daqui a pouco vão pedir para ela solucionar essa crise financeira aí.
Depois de tamanha grandiosidade, fui checar a música dela. Afinal, eu parecia ser o único ser que ainda não tinha experimentado a maravilha de ouvir a malu. Tudo bem, a música parecia legalzinha. Não tive tempo (=paciência) para analisar a letra. Mas mesmo assim, eu me pergunto, por que essa adoração toda? Pra que tudo isso? Essa menina é mesmo tão boa? Tem tanta gente compondo, cantando e fazendo a mesma coisa que ela faz.
Posso estar enganada. Pode ser até que esse que esse meu cuspe venha parar na minha cara. É que eu não agüento mais essas coisas, essas notícias de que ex-bbb foi visto comendo a pamonha da tia maria na primeira capa do jornal, como se isso fosse solucionar as nossas milhares de crises e dilemas...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A torta de maracujá


Nestes últimos dias uma torta de maracujá tornou-se o meu maior objeto de desejo.


Eu não gosto de maracujá; nunca tive uma comprovação médica, porém essa fruta e todos os seus derivados atacam o meu fígado. É só beber um suco, comer uma mousse , um bolo ou uma torta de maracujá, que eu passo o dia inteiro enjoada.

Então, por que esse desejo por uma torta? Vou explicar, a torta em questão é simbólica. Ultimamente tenho me dedicado a apenas duas atividades, que estão tomando TODO o meu tempo. Eu não tenho tido lazer, nem sei que filmes ou peças estão em cartaz, há séculos não vejo ou não falo com amigos super queridos, tenho ido dormir às 3 ou 4:00h da madrugada.

Acontece que, em um desses meus últimos dias corridos, eu estava andando apressadamente pela rua quando vi uma cena rápida que me fez pensar em um milhão de coisas em uma fração de milésimos de segundo (perceberam a quantidade de palavras relacionadas à alta velocidade nessa frase?). Eu vi uma pessoa sentada em um balcão de padaria comendo calmamente um pedaço de torta de maracujá. Ela parecia estar tão descansada e tão livre de problemas, funções e responsabilidades, que podia desfrutar e aproveitar despretenciosamente cada segundo do “nada pra fazer”.

Naquele momento, como eu desejei estar comendo aquela torta de maracujá, a despeito de todo o mal-estar que ela me causaria. Como eu desejei estar sentada naquele banquinho alto e desconfortável, vivendo tranqüilamente cada instantezinho.

Após observar, em minha caminhada, a cena de uns cinco segundos, eu continuei apressada no meu caminho, mas passei o resto do dia cheia de sensações e reflexões. E ansiando pelo meu momento de comer aquela torta de maracujá.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Crônicas da vida


Uma amiga minha decidiu conhecer Mendoza, uma cidade de vinícolas na Argentina, por causa de uma música da Mercedes Sosa, Tonada del Otoño ( “Para quien lo ha vivido en Mendoza, otoño son cosas que inventó el amor”).


Mas não bastava conhecer. Ela precisava viver um amor nos poucos dias de outono que passaria em Mendoza. E conseguiu. Teve um amor puro e inocente, sem beijos, sem relações. A princípio eu achei estranho, uma história de amor assim... sem um beijinho sequer. A história de amor surreal que eu gostaria de viver seria mais caliente (ainda mais na Argentina, com aqueles homens, meu Deus...), com uma noite de amor cheia de juras de paixão e um pedido insano de casamento, mesmo que a resposta fosse não (porque nessa hora o realismo já teria voltado a mim).


Porém depois fiquei pensando, para quien lo ha vivido en Mendoza, otoño son cosas que inventó el amor. Tão delicado, tão simples... e tão cheio de significados. Em uma típica cena de outono (que não ocorre no Brasil) as folhas caem e embelezam a paisagem. Outras novas irão surgir nas árvores, e o tempo ameno permanecerá por um tempo. O vento que faz essas folhinhas com tonalidade tão linda rodopiarem tornando tudo tão gracioso e encantador, como é o amor puro.

Os abraços e as mãos dadas sobre a neve daquele fim de outono eram tão delicados quanto a música, tão delicados quanto a cena, tão delicados quanto a sua vontade de viver um amor de outono em Mendoza. Talvez um beijo e o seu pós acabassem com a magia que havia naquela cena.


La de un amor de otoño vivido en Mendoza.