terça-feira, 2 de novembro de 2010

Viajando...

§ Viajar, em todos e nos mais profundos sentidos dessa palavra, mudou a minha vida. O que quero dizer é que não basta ser um turista, você tem que ser um viajante. Quando me tornei uma viajante passei a ver tudo com outros olhos, as histórias, os prédios, as paisagens, os hábitos, as comidas, as músicas, as danças. Me tornei mais tolerante e confiante (especialmente depois que passei a viajar sozinha) e me dei conta de que os "cartões postais" são apenas detalhes. O que vale mesmo são as experiências que você vive, as pessoas que você conhece. E é isso que me fez querer botar a mochila nas costas e viajar mais e mais.

§ Algumas pessoas que conheci vou levar pra vida toda. Uns como amigos muito próximos, outros como aqueles que só vou falar de vez em quando, mas que também são especiais e vão ficar pra sempre. De boa parte não peguei contato algum e provavelmente não vou vê-los nunca mais, o que não diminui a importância que tiveram na minha vida. Tem uns até que espero não ver nunca mais mesmo, porque não estamos livres de conhecer pessoas chatas, mal educadas e inconvenientes numa viagem. Só que elas também me fizeram aprender algo. E há, além disso, aquelas com as quais eu nunca troquei uma palavra; só as observei de longe, num momento tão especial, que elas nem imaginam que sempre estarão nas minhas lembranças, um ser que mora do outro lado do mundo, e que elas não têm idéia que exista.

§ Tem umas que eu conheci nos albergues, companheiras de quartos ou de café da manhã ou de bar. Tem outras que conheci em filas, sentada numa praça, nos trens, nos aviões, nos free walking tours. Tem muito brasileiro que conheci na internet, antes de partir, e encontrei por lá. Foi muita gente, e freqüentemente tenho que fazer esforço pra lembrar de (quase) todas elas.

§ Senti vontade de compartilhar (com quem quer que leia isso) a experiência de ter conhecido duas pessoas na minha última viagem. Uma é daquelas que eu provavelmente nunca mais verei, e a outra eu falo de vez em quando.

§ A Maria era uma senhora (de uns 60 anos) polonesa que encontrei num trem de Berlim a Cracóvia. Ela estava sentada ao meu lado, e eu a ajudei a colocar a mala no bagageiro. Acontece que ela na verdade sentou no lugar errado, o assento dela era o da frente e rolou uma pequena confusão entre ela e a adolescente, "dona" do lugar. A Maria então foi pra poltrona correta e depois de alguns minutos a adolescente pediu pra eu trocar de lugar com uma amiga dela. A Maria disse pra eu sentar ao lado dela, já que o assento estava vago. Ela me ofereceu um pêssego e balinhas tipo jelly belly. Eu disse que não precisava, mas ela insistiu, e eu acabei aceitando. O que foi ótimo, porque o trem partiu muito cedo e eu só consegui comprar um biscoito para comer durante a viagem, que duraria 10 horas. Detalhe: A Maria não falava inglês, só polonês e alemão. Eu estudei alemão há muuuuuuito tempo, mas é uma língua bem difícil e que eu não pratiquei. Ou seja, esqueci quase tudo. Com o pouco que eu lembrava fomos conversando, e eu consegui entender que dois dos três filhos dela moravam em Berlim, era por isso que ela vinha de lá. Ela também tinha um neto de 6 anos e uma jovem sobrinha que estava estudando engenharia em outra cidade na Alemanha.

§ Depois de umas 4 horas do início da viagem a Maria desceu em Legnica, sua cidade. Antes dela ir embora, eu lhe escrevi uma cartinha em inglês, agradecendo por tudo, pela companhia dela, pelas frutas e balas, pedindo desculpa por não ter conversado mais com ela, pois meu alemão era sofrível, e dizendo o quanto eu tinha adorado conhecê-la. Entreguei a carta e tentei falar pra ela pedir pra alguém traduzir. Deixei o meu e-mail também, pra que ela entrasse em contato, se quisesse, e a convidei para vir ao Brasil com a família. Nunca recebi nada, nem dela nem de algum parente. Não sei se alguém traduziu mesmo a minha carta, se ela a guardou ou a perdeu. Ou até jogou fora. Não me importo. Foi tão carinhosa a forma como ela cuidou de mim naquele trem, como tentou entender o que eu falava, misturando um péssimo alemão com inglês. A maneira como ela me agradeceu por eu tê-la ajudado com a bagagem, isso eu nuca esquecerei. Lembro que no final da carta escrevi que mesmo que não a visse mais, nunca me esqueceria dela. E não vou.

§ A Asa foi uma japonesa de 21 anos que conheci em Cracóvia (aliás, conheci tanta gente legal nessa cidade). Na verdade, nos conhecemos na saída do campo de concentração de Auschwitz. Não bastasse o clima pesado do local, não conseguíamos entender as placas em polonês e descobrir onde deveríamos tomar o ônibus para voltar à cidade. Foi esse sentimento mútuo, de se sentir perdido em todos os sentidos, que nos fez falar uma com a outra e nos uniu no objetivo de encontrar o ponto de ônibus. Encontramos e voltamos conversando. Saímos da estação e continuamos conversando até o centro medieval. Como estávamos viajando sozinhas, foi bom termos, a princípio, a companhia uma da outra pra tirar fotos. Mas acabou que quando percebemos, estávamos sentadas na praça principal há umas duas horas, conversando sobre nossas vidas. Era a primeira viagem que ela fazia sozinha, e apesar de estar conhecendo "lugares maravilhosos", ela se sentia perdida de vez em quando, perguntava a si mesmo o que estava fazendo ali. Eu, coincidentemente, também fiz a minha primeira viagem sozinha ao exterior com 21 anos, e comecei a contá-la todas as coisas boas que aquela viagem tinha me trazido. Dei muitos conselhos, falei das experiências e das pessoas que conheci. Ela me agradeceu, disse que a conversa tinha lhe feito um bem danado e que ela se sentia mais aliviada. Eu contei também que eu partiria pra Praga no dia seguinte à noite; meu trem saía da estação às 22:15h. Ela disse que iria lá se despedir de mim.

§ Na tarde seguinte começou a chover bastante na cidade, e como se não bastasse, roubaram o meu guarda-chuva no albergue. Fui andando até a estação sob raios e trovões, e lá cheguei encharcada. Naquela amolação toda eu até tinha esquecido da promessa que a Asa tinha me feito. O trem chegou uns 10 minutos antes e quando eu coloquei o pé no primeiro degrau pra subir escutei alguém me chamando. Quando olhei, lá estava ela, correndo e toda encharcada também. Ela realmente foi lá só pra me dar um abraço, só pra se despedir de mim. Olha, só teria sido melhor se na verdade tivesse sido o grande amor da minha vida a fazer isso!

§ Mas valeu também. Porque são exatamente essas coisas que fazem as viagens valer a pena. É conhecer pessoas como a Maria e Asa que faz valer a pena eu juntar todo o meu dinheirinho pra viajar, em vez de gastá-lo em coisas supérfluas. São essas experiências que fazem tudo valer a pena. Experiências que me fazem crescer, me tornam mais confiantes, mais tolerantes, me mostram novos caminhos, me fazem sorrir mesmo em momentos difíceis.


Estação Legnica - Polônia

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Repetição

Eu entrei pra dentro,
ele saiu pra fora.
Eu desci pra baixo,
ele subiu pra cima.
São sempre os mesmos desencontros nesta minha redundante vida...
Eu pleonasmo, ele sabe e vai embora.
Choram os meus olhos, chora o meu coração.

quinta-feira, 25 de março de 2010

§ É tempo de enfrentar os medos, tenho repetido incessantemente para mim mesma. Talvez me ajude a encontrar a coragem.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O segredo dos seus olhos




§ Já tem um tempo que sou grande fã do cinema argentino, e em especial, dos filmes do Juan José Campanella.

§ Não sou uma pessoa muito consumista, mas na última vez que estive em Buenos Aires, fui ao El Ateneo e queria gastar todo o meu dinheiro em dvd’s de filmes argentinos. Trouxe um bocado na mochila (e só não comprei mais por falta de dinheiro), e ainda há alguns que eu nem consegui ver.

§ Por incrível que pareça, o primeiro filme do Campanella a que assisti não foi o semi-badalado El hijo de la novia (o filho da noiva) e sim, o maravilhoso Luna de Avellaneda (clube da lua), que se tornou o meu terceiro filme favorito (só perde pra Noviça rebelde e Amélie Poulain). Depois disso comecei a garimpar nas livrarias e estabelecimentos afins, os demais filmes do Campanella. E que maravilha é poder se deleitar com uma película tão delicada e divertida, daquelas que te fazem sorrir e logo em seguida encher os olhos d’água.

§ Coincidência ou não, de uns tempos pra cá não tenho tido paciência pra assistir a esses filmes hollywoodianos, meio blockbusters. Tenho preferido filmes com narrativas mais simples e até cheias de lugares-comuns (entendeu a ligação? rs), mas que acabam se transformando em histórias mais interessantes e surpreendentes. Acho que foi por isso que me apeguei tanto ao cinema argentino e passei a aguardar ansiosamente pelos lançamentos do Campanella.

§ Eu já tinha lido muitas críticas favoráveis ao El secreto de sus ojos, e acreditem ou não, antes mesmo de assisti-lo eu pressentia que seria indicado ao Oscar. Estava contando os dias para começar a passar aqui no Brasil e logo no primeiro dia da pré-estreia fui, sob um calor infernal, ao estação botafogo, para prestigiar e me deliciar com a produção. Gostei muito. Tenho que salientar, porém, que esse filme tem um estilo um pouco diferente dos demais do Campanella. Enquanto as outras películas se caracterizavam como comédias dramáticas, el secreto é classificado como suspense. Tem uma narração mais rápida e uma história mais forte, mas o diretor conseguiu colocar seus característicos toques de humor e delicadeza, que me encantam tanto.

§ Só apesar de ser um bom filme, eu tinha 99% de certeza de que não levaria a estatueta. Primeiro, porque até comparado aos demais filmes, não acho que el secreto seja o melhor do Campanella. Apesar de amar o luna de avellaneda, tenho que admitir que el hijo de la novia, num conjunto, é a melhor produção dele, tanto que também foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Depois também, porque na premiação deste ano, el secreto tinha como concorrente A fita branca, um filme que retrata a perseguição aos judeus na Alemanha nazista. E convenhamos (eu especialmente, como estudante da Memória e Patrimônio do Holocausto), a “Academia” ADORA um filme sobre o Holocausto, que mesmo tendo sido real, acabou se transformando em uma indústria (quando na verdade deveria servir para educar).

§ Foi por isso que ontem eu me surpreendi com a vitória de el secreto. Não esperava mesmo que levasse o prêmio, mas foi uma surpresa muito boa e estou muito feliz pelo cinema argentino e pela América Latina.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Arrependimento

Me arrependo é das coisas que não fiz

§ Muito sábio quem disse isso pela primeira vez. Não que eu não me arrependa de algumas besteiras que fiz, mas quando puxo na memória, os maiores arrependimentos são mesmo das coisas que deixei de fazer. Viver pra sempre com o peso do “se”, que no fim vale nada... é terrível.

§ Minha mãe (e todo mundo) diz que a vida é curta, então não podemos perder muito tempo errando, temos que aprender com os erros dos outros. Só que às vezes não adianta: só aprendemos se nós mesmos fazemos, mesmo que o outro tenha errado bem na nossa frente.

§ Pelo menos na minha vida quebrar a cara tem sido melhor que viver com o “se”. Eu me dei mal, mas EU fiz. Não saiu do jeito que esperava, mas EU fui a responsável. Eu atuei, eu fui importante, eu não vi a banda passar: eu fui parte dela.

§ A questão é que as coisas vão continuar acontecendo e a vida vai continuar correndo, independentemente de você ter feito ou deixado de fazer. Se você fizer, pode até não contecer o que você estava sonhando, mas se você não fizer, com certeza não vai acontecer!

§ Tudo o que eu queria agora era uma máquina do tempo. Sério, nunca desejei tanto na vida alguma coisa. É um desejo tão forte, que às vezes eu acho que essa máquina vai aparecer na minha frente. Sabe por que eu queria isso? Porque eu joguei no lixo um momento que durou poucos segundos, e agora parece que vou me arrepender pelo resto da vida...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

"What really knocks me out is a book that, when you’re all done reading it, you wish the author that wrote it was a terrific friend of yours and you could call him up on the phone whenever you felt like it. That doesn’t happen much, though". (JD Salinger)


§ Bem, eu gostaria MUITO, mas MUITO mesmo, de ser amiga da Isabel Allende, do Garcia Márquez, do Saramago e do LF Veríssimo...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fotos

§ Eu gosto de tirar fotos, mas frequentemente me assusto ao perceber o quão fotomaníacas estão as pessoas. Penso que é resultado dessa "sociedade do espetáculo" na qual vivemos.

§ Uma vez eu li uma entrevista do Paulo Coelho, se eu não me engano, na qual ele dizia que quando viajava e vistava os lugares, não tirava fotos, pois elas são incapazes de registrar a essência do lugar, do momento em si. Concordo em partes: de fato os momentos vividos são impossíveis de serem registrados com perfeição em uma fotografia. Só ficam na memória, e mesmo assim ela é falha. Mas eu gosto de registrar em fotos os lugares que visitei, para quando a memória não estiver lá grandes coisas, poder recordar as paisagens lindas que eu vi num papel, ou na tela do pc.

§ É até engraçado que eu não sou muito de tirar fotos. Não sei se é a timidez ou o fato de às vezes ficar tão abismada, admirando cada detalhe, que quando eu paro pra pensar que preciso sacar uma foto daquilo, eu já fui embora... Já em casa, me pego pensando, poxa, eu tinha que ter tirado uma fotografia daquilo, tinha que ter registrado aquilo outro, não podia ter deixado de sacar uma foto daquele lugar, daquela rua, daquele céu, daquela flor, daquela comida, daquela cena inusitada...
§ Mas então eu me acalmo, pensando naquilo que, como eu já mencionei, concordo com o Paulo Coelho: o importante é o que eu vivi e não imagem impressa. E o que eu vivi a fotografia não pode tirar de mim. Só a memória pode, mas eu tenho tentado treiná-la de modo que ela ainda me permita visualizar mentalmente as coisas que eu vi por muitos e muitos anos.

§ Enfim, o que me deixa mais chocada é notar que hoje em dia as pessoas parecem querer tirar fotos mais para mostrar aos outros do que para guardarem o momento para si. Já sacam pensando em pôr no orkut, no facebook, no fotologblogecoisasafins. Nem curtem o lugar, o momento, as pessoas... não aproveitam os mínimos e deliciosos detalhes porque passam o tempo todo fazendo poses, caras e bocas pra depois se SUPER exporem por aí. Eu não quero saber onde, quando e com quem você esteve. Eu quero saber se o que você viu e viveu foi capaz de modificar o seu modo de ver e viver a vida (a intenção é ser redundante mesmo).

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Flamengo

§ Com esse final de campeonato brasileiro emocionante e que culminou no hexacampeonato do meu MENGÃO, eu não poderia falar de outra coisa que não o futebol. Mas na verdade, mais que futebol, eu vou falar dessa minha paixão que é o Clube de Regatas Flamengo.
§ Eu me tornei flamenguista e amante da emoção do futebol "sozinha". Meu pai só torce para a seleção brasileira e minha mãe entende bulhufas desse esporte, atendo-se a assistir aos jogos do Brasil durante a copa do mundo, e isso porque é a única coisa que todo mundo faz, então nem tem pra onde fugir.
§ Eu lembro que o primeiro jogo que eu assisti foi também de uma copa do mundo, a de 94, Brasil x Rússia. Se eu não me engano, o primeiro jogo do nosso país nessa copa. E desde então, não parei mais.
§ Agora o engraçado é que eu até então não tinha convivido com pessoas aficcionadas ao futebol, então lembro muito pouco de falarem dos times cariocas, brasileiros, do Zico e até do pelé, isso tudo era uma coisa bem distante pra mim. Até uma tarde de um dia, um mês e um ano que eu não lembro, só sei que foi depois de 1994 (a copa é mesmo um marco), que eu estava brincando no playground do meu prédio e que os meninos decidiram fazer um campeonato de futebol de botão. Escolheram os times e a torcida foi praticamente toda pro flamengo. Aquele acontecimento foi tão marcante na minha vida que eu nem lembro qual era o outro time do botão e se ele tinha torcida; só recordo de todos gritando euforicamente flamengo, mengo, mengão! Pronto, fui picada pelo mosquitinho que me transmitiu esse amor, essa paixão pelo rubro-negro carioca e me tornei parte da maior torcida do Brasil.
§ Como mais niguém acompanhava futebol aqui em casa, me tornei uma flamenguista solitária, que teve que descobrir tudo sozinha. Ainda lembro quando os meninos da escola me explicaram como funcionava o campeonato carioca, "deu" procurando a frequência de alguma rádio que estivesse narrando os jogos do mengão (quando os mesmos não eram transmitidos pela TV - até hoje lembro que eu quase sempre ouvia em uma tal de "tropical, tropicalíssimaaaaa"), de ir eu mesma comprar os jornais no dia seguinte às conquistas do time, de gritar escandalosamente pela janela nos gols (coisa que faço até hoje) e minha mãe pra morrer com essa minha atitude!
§ De lá pra cá fui descobrindo que quase toda a minha família por parte de pai é flamenguista. Explicação: a família do meu pai é do interior do RN, e como se sabe, no nordeste a presença do mengão é gigante. Mas como eu só ia a Natal uma vez por ano, nas férias de verão, quando não há competições no futebol, ninguém falava muito, ou melhor, nada disso. Fora os outros parentes espalhados pelo Brasil. Eu tenho vários primos em São Paulo, a maioria é tricolor paulista, mas uma prima minha, influenciada pela mãe (que nunca deixou de ser flamenguista), também é rubro-negra.
§ A primeira vez que fui ao maracanã foi em 2004, na final da Copa do Brasil. Fui com a família de uma amiga minha (desde então, tenho ido ao estádio várias vezes com eles). Nossa, fico arrepiada só de lembrar do maraca lotadérrico, a magnética naquela força, raça e emoção que só ela tem. Inesquecível, e seria melhor ainda se eu e minha amiga não tivéssemos ficado 6 horas na fila pra comprar os ingressos e depois ver o mengão perder de 2x0 pro santo andré.
§ Só que essa foi só uma das milhares de coisas que eu aprendi nesses anos todos que tenho acompanhado o meu FLAMENGO: ele é assim mesmo, ganha quando é impossível e perde quando está com praticamente tudo na mão. Flamenguista é sofredor... quase tudo que ganhamos é de uma maneira meio infartante. Só que a gente gosta, porque o melhor mesmo é vencer na emoção. Mas acho que isso é de qualquer torcedor. A emoção do futebol este nesse sofrimento, nesse desespero, nessa ansiedade e na explosão de gritar o gol. Prova disso é que dentre os jogos mais inesquecíveis na vida de qualquer pessoa, a maioria é de jogos sofridos, como o Brasil x Holando e Brasil Itália da copa de 94, O Brasil x Holanda de 98 e o Brasil x Inglaterra de 2002. E pros flamenguistas também a conquista do tri-estadual de 1999-2001 (esse último com aquele gol inesqucível do pet - síntese da emoção de ser Flamengo), entre outros.
§ Eu sou FLAMENGO, eu amo o FLAMENGO, eu torço muito pelo FLAMENGO, eu me emociono com o FLAMENGO. Eu já até pensei em deixar de ser FLAMENGO, mas descobri que o hino do C.R.F. descreve uma verdade, UMA VEZ FLAMENFO, FLAMENGO ATÉ MORRER...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

All of my days... alone...

§ Hoje assisti àquele filme "500 dias com ela" (500 days of Summer). Resumindo, são narrados praticamente os 500 dias da vida do protagonista desde quando ele conhece a Summer até quando se "livra" dela.

§ Amei o filme: divertido, é uma gracinha sem ter a pretensão de ser gracinha, usa clichês criativos e que por isso não são tão clichês assim, é romântico sem ser romântico e tem final feliz, mas não o lógico. Ri enquanto o assistia, só que agora estou sentindo uma super vontade de chorar...

§ Eu nunca tive um namorado. Eu só tive peguetes e eles completam apenas uma mão. Eu não tenho uma história de amor pra contar. Até tenho uma, mas ela é frustrada demais, de amor nada tem. E eu sei que a culpa "deu" estar sempre sozinha é somente minha; tanto por eu não ser muito atraente e atrativa quanto por eu ser neurótica, não dar chances aos poucos que aparecem e não saber conduzir, mesmo da pior maneira, relacionamentos.

§ Por muito e muito tempo eu tenho ouvido as pessoas me dizerem que um dia, quando eu menos esperar, o cara ideal vai aparecer ou eu vou saber como levar as coisas. A questão é por que isso está levando tanto tempo? Eu não quero que o "amor da minha vida, futuro marido e pai dos meus filhos" apareça agora. Eu só quero que apareça alguém, mesmo que seja pra passar tempo. Alguns me diziam, é porque você está muito ansiosa, só vai aparecer quando você não esperar mais. A esses eu respondo que muitos dias eu esqueci isso, muitos dias eu não esperei (juro por Deus!) e mesmo assim ninguém apareceu.

§ Em muitos pontos do filme eu me identifiquei com a Summer: gostos peculiares, aparências frágeis e fofas porém muito fortes e decididas e aquela vontade de "não ser alguma coisa de alguém". Porque fique bem claro, eu não quero um namorado. Eu não quero um compromisso formal. Só quero alguém pra poder conversar, ir ao cinema e ao teatro junto e depois debater e comentar, desabafar, alguém que me faça lembrar uma música, um livro ou um filme, assistir ao pôr-do-sol junto, trocar mensagens de madrugada, chegar a um lugar e saber que estão me esperando ou esperar por ele, alguém pra escrever uma carta, pra dormir abraçado, pra conversar mais e quando não tiver mais nada a ser dito, simplesmente continuar caminhando de mãos dadas.

§ E nesses meus recém-completados 24 anos de vida, esse alguém nunca apareceu. Como disse, me identifiquei com a Summer em algumas coisas. Em outras não. A Summer sempre teve "alguém", apesar de não admitir. Ela encontra o amor da vida dela enquanto está num restaurante, lendo o retrato de Dorian Gray. quando o seu futuro marido a interrompe para comentar uns detalhes sobre o livro. Pois bem, nos meus muitos devaneios eu às vezes imaginava como o meu amor, ou o meu "alguém", apareceria na minha vida. E mesmo antes desse filme sonhar em ser produzido, eu me imaginava (e continuo imaginando, de vez em quando), sentada no metrô, lendo um livro, quando ele chegaria e sentaria ao meu lado, e aproveitaria os poucos segundos nos quais eu desviaria os meus olhos das letras para algum ponto fixo a fim de refletir sobre algo que tinha acabado de ler, como eu disse, ele aproveitaria esse momento para me "interromper" e comentar algo sobre ese livro que ele também tinha lido, ou tinha vontade de ler, ou já tinha lido alguma coisa sobre o mesmo autor e gostava muito das obras dele, ou só pra comentar algum detalhe mesmo que pífio, e esse seria o início de uma conversa que culminaria em uma troca de e-mails (eu sei, as pessoas trocam os celulares, mas eu prefiro a princípio falar escrevendo que simplesmente falar), várias outras conversas e então ele seria o meu "alguém", ou quem sabe até o meu amor.

§ É nesse ponto que eu e a Summer somos diferentes. Enquanto eu sonho, penso, imagino, devaneio, enquanto eu fico só na expectativa, só criando as historinhas na minha cabeça, as historinhas dela acontecem, são reais. Pensano assim, sou mais parecida com o Tom: expectativas x realidade. Só que o "verão" passou na vida dele, e até o "outono" chegou. Todos os meus dias têm sido um inverno eterno.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Palavras da Lud

§ E-mail que a Ludmila Jose Cuervo Murta enviou agora há pouco para os mochileiros e que está mefazendo chorar desde então:

Putz. Resolvi ir escrevendo esse e-mail aos poucos, enquanto estou aqui no limbo (sim, no limbo.. afinal, eu não voltei pra casa ainda, mas não tô mais com os mochileiros. Estou no Rio, mas tô "internada" no hotel do congresso... osso!)... Se eu deixasse pra escrever depois, provavelmente ia ficar cada vez mais difícil e eu iria acabar não escrevendo nada (como aconteceu com Jundiaí). Comecei às 10:00 do dia 04/11.. será que termino hoje ainda?

Cara. Saudade tá matando, véi. (rs)

Galera, SEM PALAVRAS pra descrever como foi passar esses dias todos com vocês. Cada encontro nosso é sempre um caso à parte. Por mais que as condições climáticas e geográficas não sejam favoráveis, a gente sempre dá um jeito e transforma tudo em uma das experiências mais marcantes de todos os tempos (e toda vez é assim.. e a gente se supera sempre).

Nanda e Sara foram as perfeitas anfitriãs. Deram dicas valiosas, e realmente acho que não temos nada a reclamar (a não ser com São Pedro). Sem dúvida alguma, as duas pinguins colocaram o resto da galera numa posição dificilíma pra receber a galera nos próximos encontros oficiais. O padrão de qualidade ficou alto demais. Já to aqui descabelando só de pensar em como vai ser quando o encontro for em BH... to lascada! rs!

Nanda, não tenho nem como te agradecer por tudo que c fez nesse feriado. Já cadastrou o Albergue da Tia Fer no hostel world? Já falei que c pode colocar fácil fácil a diária a R$100,00, que ainda tá barato. rs. Brigadão mesmo por tudo... pelo transporte, pela alimentação (super balanceada, é claro!), pelo abrigo prolongado, pelas informações turísticas valiosas (eu nunca ia reparar que tem uma formação no Rio que parece um gigante deitado .. rs) e, principalmente, pela confiança e pelo carinho. Eu e Dial-O-Ney conversávamos sobre isso.... tem que ter muita confiança pra hospedar na sua casa uma galera q vc viu só 2 vezes na vida. É tudo muito doido.. essa é que a verdade. rs

Sara pinguim.... Companheira mesmo, especialmente nas habilidades que exigem coordenação, né! rs! Foi um prazer sem igual poder comemorar seu aniversário com vc literalmente do começo ao fim. Jamais vou esquecer duas carinhas q você fez: uma lá na Rio Scenarium, quando a gente tava cantando parabéns pra você, e a outra no bondinho, no parabéns pra vc mais repleto de adrenalina de todos os tempos. Dia 31/10/09 virou marco histórico! Acho até que deveríamos postar este dia na wikipédia, hein... ia ser show!

Diogão, sua cirurgia é amanhã, né... Espero que corra tudo bem, e não deixe de dar notícias pra gente. Tenha certeza de que você fez muita, MUITA falta mesmo. Cuide-se direitinho pra que você não perca mais nenhum encontro nosso!!! E a gente tá torcendo daqui!!!!!!!! Amamos você!!!!!!!

Bá, nem em pensamento c foi não, rapaz. Furão é furão, não pode participar nem em pensamento não. Deixa de ser intrometido! Mesmo porque, c tinha bem que estar em Salvador pra poder garantir companhia pro passeio ao Maraca na terça. Valeeeeeeuuuu furããããoooooooooooooo!

Dio e Léo, brigadão pela companhia na terça. Depois do passeio pela orla com a motorista com direção mais incisiva do Rio (a praia tava divina!), valeu demais o city tour no ônibus Real, com direito a Ruffles Cebola e Salsa (pra lembrar do lanchinho esperto que a Nanda providenciou pra praia e pra homenagear nosso camaleônico Totembox - in memoriam.... já que o totembox original virou , né febox). E você me paga, Dial-O-Ney.... Fazer credenciamento com olho inchado não foi nada bom. Vieram 5 me perguntar se eu tava bem. Deu vontade de responder "Eu tava, mas Papai Smurf quebrou o combinado e me fez quebrar o combinado também". Ô despedida difícil!

FH, dado o seu esquecimento, temos que encontrar dia 20 pra dar fim ao invólucro dos deuses ( = garrafa de Absolut). E, já sabe... Não acho que a galera toda tinha q morar no mesmo condomínio... Acho que todo mundo devia morar sim no mesmo condomínio, mas em um condomínio itinerante. rs.

Glauco, não tenho como te agradecer pelo forró no Bom Sujeito. Falei com a Li (usuária permanente do meu colo! hehehehe) que foi a realização de um sonho mesmo. Sempre fui fã de forró, mas minha total falta de coordenação motora e ginga nunca me permitiram nem tentar dançar. E... putz.... Dançar forró, com rodadinha e tudo, sem cair (tá, embolei nas minhas pernas, mas não cai.. é o que importa).... NÃO TEM PREÇO! Brigadãooooooooooooooooooo meeeeeeeeeeesmoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!

Eliane, querida! Foi a conta da gente dar um tchibum em Ipanema, hein? E rachei de rir da foto nossa com a pseudo Garota de Ipanema... Você, sempre simpática, ainda saiu super simpática com a folga da fubanga da menina.... Só você!! Só você!!! rs!

Karol, quase num vi a verdadeira Karol no samba hein... Mas a Smirnoff Ice eu vi! Eu vi!!! E vi o samba no pé que ninguém diria que vc tinha, hein!!!

Juuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!! A gente devia ter te colocado pra dirigir no Rio.. Já imaginou que upgrade? Dessa vez foi a vez do Dial-O-Ney, mas na próxima você não escapa! Quem sabe a gente te coloca pra dirigir em Salvador? Ia ser bala (como diz Papai Smurf). E... a sua zuação pro Febox na sacada da casa da Nanda, antes da foto no automático.... FOI PERFEITA!

Adriano... cara, eu não poderia voltar pra BH sem dançar contigo, né! Revivendo os bons tempos da balada do Ritz! ehehehehehehehe! Adoro você, rapaz.... E principalmente as suas previsões "Chuuuuuuuuuuuuuuva traz o benzinhoooooooo... E vai trazer, Lud.. c vai ver". Aeeeeeeeee!!! ehehehehehe

Febox.... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... só consigo rir, véi! SHOOOOOOOOOOOOW de Mariobox! Conferiu aí pra ver se o nome da mochila tá vazado ou não? Acho que vc viajou com a mochila errada, hein!!!!! E o estômago tá zoado, véi? ahuauahauhauahauaha

Lívia e Flávia.. Perderam a Nuth, viu. Tenho certeza que vocês iam adorar. E o Cristo também... foi show!!! Na próxima tentem voltar mais tarde pra casa!

Pois é, galera...
E pra terminar esse testamento, proponho um exercício de registrar aqui no grupo os ensinamentos, cenas e frases impagáveis do encontro. Teve taaaaaaaaaaaaaaaaaaanta coisa, que a gente acaba esquecendo de episódios hilários!
Eu comecei listando algumas coisas que lembrei... Se quiserem completar, fiquem à vontade! rs! Tem algumas coisas que aconteceram só com parte do grupo, mas que valem registro..... né febox! kkkkkkkkkk

Ensinamentos, frases e cenas impagáveis:

1) Plaquinha é mais constrangedora pra quem a segura do que para a pessoa a quem ela é dirigida.

2) Há aqueles que não sabem dançar e..... aqueles que dançam com ataque epilético.

3) Se seu ego não anda lá uma brastemp, é porque você não circulou direito pela noite carioca.

4) Encontro de mochileiros pára tudo... Até roda de samba. E cria a própria, totalmente democrática.

5) Mil anos falando do Cristo.. soltam "Ó Ele!" .. E perguntam.. "Ele quem?"

6) Lei da atração existe.. e funciona. Senão o Dioney é macumbeiro e substituto oficial de São Pedro, e Adriano é pai de santo (afinal, ele
cantou chuva traz o meu benzinho e terminou dizendo "e vai trazer"... 10 minutos depois é... GOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLL!)

7) Foto presente... Só os mochileiros fazem por você.

8) Ônibus, R$2,70... Ingresso pro bondinho, R$40,00.... Ficar preso no bondinho no dia do seu niver, com todo mundo cantando "Parabéns pra você"..... Não tem preço!

9) Momentos de tensão no bondinho, todos falando juntos... De repente, 2 segundos de silêncio espontâneo do grupo, e o Chaves-Joselito ecoa dizendo "E o problema depois vai ser achar os corpos".... Ôôôôô matou metade da galera do coração, né Nanda?

10) "O que é que você tem na boca Maria" também é trilha romântica. Pelo menos como exemplo.

11) Pontos turísticos do Rio também incluem o tio de cueca-tanguinha do prédio ao lado...

12) Aliás, Big Brother de mochileiro também é de prédio vizinho, até que o Dial-O-Ney siga o sonho de FH. É nóis na final do BBB!

13) As casas noturnas do Rio inovam sempre... Oferecem serviços adicionais que fazem toda a diferença. Por exemplo, a Nuth e sua massagem capilar (ou brincofagia, como queiram.. ).

14) Irmã de figura, figura é. Que o diga a irmã da Ferrrrr!

15) Febox foi pro samba e se divertiu. Pegadinhabox? Claro que não..... A foto oficial prova isso. Tem rock 'n roll no samba, véi!

16) Falta de sono adequado faz as pessoas terem sérios e contrangedores problemas na fala.... E gera a risada em dupla que lembra
Beavis & Butthead. (poooooooooo rachei de rir aqui agora.. e fiquei com vergonha de novo, febox. kkkkkkkk).

17) As aparências enganam. O Hotel OK nem é pegadinhabox... E apesar de estar na mesma região do Hotel Nice e do Hotel Very Good (kkkkk), é bacaninha, viu? É quase, quaaaaaaaaaaaaaaaaaaase, um Copa. rs.

18) "I gotta a feeling, that tonight's gonna be a good night". "Véí, vocês vão lembrar de mim dizendo que é pra lembrar desse momento, e não do momento em si".... De fato, véi! Aconteceu bem isso! rs!

19) "Essa fila vai demorar pra sempre?" Hehehehehehehe... nada.. a gente pode ficar 2h na outra! kkkkkkkk

20) "Você não entendeu? Eu não vou! Não. Não. Não."

21) "Será que a Maria Rita pegou meu dinheiro, véi?".. Se pegou, pegou o seu, o meu, o de Léo.. de todo mundo, véi!

22) "Eu te amava até 5s atrás"... E é verdade... Amor nenhum resiste a adjetivos como "cadeiruda".

23) "Ó o Pão de Açúcar!" *apontando pra placa da entrada do Supermercado Pão de Açúcar... Né Léo-Bá2? rs*

24) "Eu não sou machista"... "Ha vai se tratar! E rápido!"

25) Ser "um dos caras" te dá informações mais que privilegiadas. E algumas cenas hilariamente constrangedoras. rs

E.. a conclusão mais séria, objetiva e certeira de todas... O que une os mochilerios? Uma coisa simples... dizer "EU MEREÇO!". Nós merecemos viver, nós merecemos gastar nosso tempo com a gente mesmo, nós merecemos fugir da rotina, nós merecemos pensar em outra coisa diferente dos problemas dos outros, nós merecemos a felicidade!

É... Então..
13:55 da tarde...
Encerrando o e-mail.. com uma dor no coração gigante. E saudade sem fim de vocês.
Xô fingir que to prestando atenção no seminário, né! ´Mas é missão impossível, depois de lembrar tanta coisa!

Amo vocês, pessoal...
De verdade.

Pô, chorar no seminário tá foda.

Saudades!!!


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